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Caso · satélite GRACE-FO · acelerômetro

Cada leitura está dentro. A soma não está.

Um compressor com tolerância garantida promete: nenhuma leitura devolvida se afasta mais que a margem. No satélite GRACE-FO a promessa foi cumprida em todas as leituras, e mesmo assim o erro na posição chegou a 353 mil vezes a margem, porque o computador de bordo soma as leituras duas vezes para saber onde está.

Medido em dado público de satélite
Espécime · o mesmo erro, somado uma e duas vezes
0erro de cada leitura
0somado uma vez
0somado duas vezes
0recibos gravados

Ilustrativo: sinal sintético com semente fixa, uma leitura por segundo durante 20 minutos, erros em múltiplos da margem. O número medido no satélite (353 mil vezes na posição) está no texto. Em (b) cada erro tem exatamente o mesmo tamanho de (a); só o lado muda.

No dia a dia

Um relógio que atrasa um segundo por dia não está "quase certo".

Um relógio que atrasa um segundo por dia está sempre "dentro de um segundo" de um dia para o outro. Depois de um ano, está seis minutos atrasado. O erro de cada dia é pequeno, mas vai sempre para o mesmo lado, e erro que vai para o mesmo lado se acumula.

A compressão comum faz exatamente isso: segura um valor constante enquanto o sinal se afasta devagar, e só grava de novo quando encosta na margem. Cada leitura devolvida fica dentro da margem. Mas o erro de cada uma tende para o mesmo lado por trechos longos. Ruído se cancela quando você soma; viés se acumula.

Para medir quanto do problema é viés, e não tamanho, sorteamos o lado de cada erro mantendo o tamanho exatamente igual. Se o problema fosse o tamanho, nada mudaria. Mudou: o erro real ficou de 8,4 a 17,7 vezes pior para quem soma do que um ruído do mesmo tamanho.

Consequência prática: "comprimi dentro do ruído do sensor, então é inofensivo" é uma frase falsa para qualquer cliente que some. E quase todo cliente soma: combustível, energia, emissões, distância, dose, volume.

erros para o mesmo ladosomao mesmo tamanho, lado sorteadosoma
Em cima, erros que tendem para o mesmo lado: a soma (linha) sobe sem parar. Embaixo, os mesmos tamanhos com o lado sorteado: a soma vai e volta perto de zero.
A garantia passa a valer em metros

Planejar, e deixar um recibo.

Reescrevemos o compressor para prometer também sobre o que se reconstrói a partir das leituras (posição e velocidade), e não só sobre a leitura solta. Foram duas mudanças, e a segunda é a que resolveu.

Planejar em vez de reagir. O compressor decidia na hora quando gravar. Passou a decidir com antecedência, escolhendo o ponto de apoio no meio do movimento em vez de correr atrás dele. Cada gravação passou a valer por muito mais tempo: 4 vezes menos espaço.

O recibo periódico. De tempos em tempos, o compressor mede o desvio que ele mesmo acumulou e anota esse número, com o sinal (para mais ou para menos). São poucos bytes. Quem lê aplica os recibos e o desvio para de crescer. Quanto mais frequente o recibo, mais apertada a garantia: é um botão, não uma reengenharia.

A diferença para o que já estava publicado é só o sinal. Guardar o tamanho do desvio permite limitar o erro, e os erros continuam se somando. Guardar com sinal permite corrigir, e eles se cancelam.

tempo → desvio acumulado sem recibo com recibo recibo
O desvio acumulado ao longo do tempo. Sem recibo, ele cresce. Com recibo, cada anotação o traz de volta a zero; a garantia depende de quão perto os recibos estão.

O mesmo agregado, quatro jeitos de garantir

Num conjunto real de 48 estações (166 mil medições), medimos o quanto a resposta de um mesmo agregado pode variar em cada abordagem. Quanto menor a faixa, mais afiada a garantia.

só a margem de cada leitura2,5857%recibo sem sinal (o publicado)0,2109%apertar a compressão (+37% de espaço)0,0092%recibo com sinal (o nosso)0,0003%
Largura da faixa de resposta, em escala logarítmica. O recibo com sinal é 27 vezes mais apertado que apertar a compressão, usando 20% menos espaço.
Isso importa perto do erro do próprio sensor?

Depende de por quanto tempo você soma.

Antes de construir qualquer coisa, escrevemos em que condição a ideia estaria morta: se a nossa contribuição de erro fosse muito menor que a deriva do próprio instrumento, não haveria produto. O teste coloca as duas coisas na mesma unidade, a do manual do sensor.

No drone, a compressão dominava o erro em qualquer duração. No satélite, o veredito muda com o tempo: de 15 vezes a deriva do sensor em 1 minuto para abaixo dela a partir de umas 6 horas. Para produto de horizonte longo, o erro de compressão some no erro do instrumento. Para horizonte curto, é ele que manda, e é ali que o recibo importa.

deriva do próprio sensor = 1×15,3×1 min10,4×10 min2,57×1 h0,79×6 h0,019×24 h
Nossa contribuição de erro dividida pela deriva do próprio acelerômetro, por horizonte de soma. Acima da linha, a compressão é o maior erro; abaixo, o sensor é.
Atitude: para onde a nave aponta

De um número abstrato para arcsegundo.

Ninguém contrata "0,001 na quarta componente do quatérnion" (o jeito matemático de guardar para onde a nave aponta). Contrata-se precisão de apontamento em arcsegundo, a 3.600ª parte de um grau. A ponte entre os dois é uma conta exata, não uma estimativa: se cada componente do quatérnion erra no máximo ε, o apontamento erra no máximo 2·arctan(2ε).

No GRACE-FO, o contrato ficou em 0,362 arcsegundo, igual ao erro que a própria câmera de estrelas da nave declara. O pior erro real medido foi 0,347": o limite ficou só 3,5% folgado, e por isso dá para assinar. O arquivo ficou 14 vezes menor que o mesmo dado sem perda.

Um achado mudou a recomendação: o produto do giroscópio da missão entrega o ângulo já somado, e arquivar esse ângulo é melhor que arquivar o quatérnion: 3 vezes menos bytes, com contrato 2 vezes mais apertado. Os dois não se substituem (o ângulo do giroscópio deriva sozinho; o quatérnion já vem corrigido), então o desenho certo é guardar o ângulo barato e ancorar de tempos em tempos com a câmera de estrelas.

valorna prática
Contrato de apontamento0,362"igual ao erro declarado da câmera de estrelas
Pior erro real0,347"o limite fica só 3,5% folgado
Espaço14×menor que o mesmo dado sem perda
Você escolhe o ponto

Mais apertado ou mais compacto.

Um dia inteiro do acelerômetro do GRACE-FO: 86.400 leituras. Cada ponto da curva é uma escolha: quanto erro de posição você aceita em uma hora de soma, e quantas vezes menor fica o arquivo em relação ao mesmo dado comprimido sem perda.

Mesmo no ponto mais conservador, com erro de posição garantido de 6 micrômetros em uma hora, o arquivo fica 41,6 vezes menor. E a garantia não é afirmação nossa: cada resultado é refeito em aritmética exata e conferido contra os três limites (leitura, velocidade, posição) antes de ser publicado.

erro de posição garantido em 1 h →vezes menor41,6×6,1 µm90,2×0,15 mm205×2,7 mm500×17 mm
Erro de posição garantido em uma hora (escala logarítmica) contra quantas vezes o arquivo fica menor que o mesmo dado sem perda.
Três palavras desta página
Viés

Erro que tende para o mesmo lado. Pequeno em cada leitura, grande quando somado.

Recibo periódico

Um número de poucos bytes, gravado de tempos em tempos, com o desvio acumulado e o sinal dele. Quem lê usa para corrigir.

Arcsegundo

A 3.600ª parte de um grau. É a unidade em que se contrata a precisão de apontamento de um satélite.

Limites

Onde isso pode estar errado.

O dado não diz qual é a tolerância

No GRACE-FO, dois jeitos de estimar a margem a partir do próprio dado erram em direções opostas: um mede o filtro, o outro mede o que o filtro tirou. A tolerância tem de vir de documento, não do dado.

Perguntas com filtro quase não melhoram

Em 10 mil leituras, as 61 que encostam no limite respondem por 78% da incerteza. A incerteza está em quem entra na conta, e o recibo de valor não mexe nisso.

Requisito da categoria errada

O requisito de apontamento que encontramos é de controle (quão bem a nave aponta), não de conhecimento nem de fidelidade de arquivo. Usá-lo como tolerância daria um número bonito e inválido.

Duas ideias nossas caíram

Um recibo detalhado por faixa de valor (de 3 a 15 vezes mais espaço, ganho quase nulo) e embutir a correção nas próprias leituras (funciona, mas não dá garantia). Publicamos as duas com o mesmo destaque.

Ver também

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Fontes