O conceito, em uma página só
O livro das pedras e o teclado
De onde vem o nome lapidário, por que o teclado esconde estes caracteres, e por que cada um ganhou uma página.
Lapidário era um gênero de livro medieval: o catálogo das pedras preciosas, uma por verbete, com o desenho, as virtudes e o modo de chamar cada gema. Este site toma o gênero emprestado — o acervo aqui são caracteres que a tipografia lapidou ao longo de cinco séculos e que o Unicode engastou, cada um em seu próprio code point.
Por que o teclado esconde
A máquina de escrever foi um acordo de escassez: algumas dezenas de teclas para todo o texto. O acordo achatou a tipografia — um hífen passou a dublar o travessão, a meia-risca e o menos; uma aspa reta engoliu seis curvas; um espaço único substituiu a caixa inteira de brancos do tipógrafo.
O teclado do computador herdou o acordo, e os caracteres verdadeiros continuaram existindo — primeiro no chumbo das oficinas, depois nos charts do Unicode. Estão todos a um atalho de distância; só não estão pintados em tecla nenhuma. É essa a raridade desta coleção: nenhuma gema aqui é rara no acervo, todas são raras no uso.
Como chamar
A etiqueta de cada gema responde de quatro maneiras: o atalho no macOS, o código no Windows, a entidade HTML e o code point — a chamada universal, que funciona onde as outras faltarem. Os nomes e números vêm dos Unicode charts, o catálogo oficial, apontado em toda etiqueta.
Por que muitas páginas pequenas
Pelo mesmo motivo do herbário e do relicário: cada gema, cada gaveta, cada ordenação e este próprio texto são arquivos HTML separados, ligados por links, escritos por um gerador de algumas centenas de linhas. Estado vira endereço; o navegador cuida do resto.