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Post-Quantum Scan · inventário e plano de migração

Onde está a criptografia que o quântico abre?

Antes de trocar fechaduras, é preciso saber onde elas estão. O scan varre código, configuração e dependências, acha cada RSA e curva elíptica, e ordena a troca por uma conta simples: quanto tempo o dado precisa ficar secreto, mais quanto tempo leva migrar, contra quando o computador quântico pode chegar.

Espécime · o scan de uma fintech imaginária
ComponenteFechaduraOndeSituação

0componentes achados
0com fechadura que o quântico abre
0já expostos
—primeiro a migrar

O sistema, os componentes e os prazos de sigilo e de migração são ilustrativos. A regra é a de Mosca (2015): se o tempo que o dado precisa ficar secreto mais o tempo para migrar passam da chegada do computador quântico, o dado já está exposto hoje. "Apertado" = folga de até 2 anos.

No dia a dia

Primeiro a lista das portas, depois o chaveiro.

Imagine trocar todas as fechaduras de um prédio antigo. Ninguém começa comprando fechaduras: começa andando pelo prédio com uma prancheta, anotando cada porta, que tipo de fechadura tem e o que ela guarda. Algumas portas estão escondidas atrás de outras.

Na criptografia é igual, com um detalhe: muitas "portas" não estão no seu código. Estão nas dependências (as bibliotecas e os SDKs que o seu sistema usa) e na configuração dos servidores. Sem varredura, ninguém sabe o que precisa migrar.

API (TLS) abre VPN abre Backup abre Contratos abre SDK de nuvem abre Tokens de login abre Banco (AES) resiste Senhas resiste
A planta do sistema com cada fechadura achada. Em vermelho, as que um computador quântico abre; em cinza, as que já resistem.
A conta que decide a ordem

Sigilo mais migração, contra o relógio.

Michele Mosca propôs em 2015 uma conta de três números que virou a régua do setor. X: por quantos anos o dado precisa continuar secreto. Y: quantos anos você leva para migrar. Z: quantos anos faltam para existir um computador quântico capaz de quebrar a fechadura.

Se X + Y passa de Z, o dado já está exposto hoje, mesmo que o computador quântico ainda não exista. Na prática: um contrato assinado que precisa valer 20 anos já está atrasado em qualquer estimativa; um token de login que vale uma hora só precisa estar migrado antes do dia em que o computador ligar.

com folgaX = 5Y = 2Z = 10já expostoX = 12Y = 3Z = 10X: sigiloY: migraçãoZ: até o computador quântico
Quando o sigilo mais a migração cabem antes da chegada do computador quântico, há folga. Quando passam, o dado já está exposto.
Por que agora

Guardar hoje, abrir depois.

Quem tem interesse no seu dado não precisa esperar o computador quântico para agir. Basta gravar hoje o tráfego cifrado com RSA ou curva elíptica e guardar. No dia em que a máquina existir, abre tudo de uma vez, para trás.

Por isso a urgência não é de quem usa o dado hoje: é de quem vai precisar que ele continue secreto daqui a 10 ou 20 anos. Dados financeiros, contratos, saúde e propriedade intelectual são os primeiros da fila.

2026hoje: grava o tráfego guarda por anos 20?? o dia em que abre (estimativa)tudo o que foi gravado
O tráfego gravado hoje fica guardado até o dia em que puder ser aberto. A data desse dia é estimativa.
Como o scan funciona

Varrer, mapear, classificar, planejar.

Código e configuração. Varredura automática do código e das configurações de servidor: onde há RSA, ECDSA, ECDH, que versões de TLS e cifras estão ligadas, que certificados e chaves existem.

Dependências. A árvore inteira de bibliotecas, SDKs de nuvem e integrações: para cada uma, a versão, o algoritmo que usa e se já existe versão com fechadura nova.

Classificação. Cada achado recebe o prazo de sigilo do dado que protege, a exposição (internet, rede interna, isolado) e o esforço de troca.

Plano. A ordem de migração para as fechaduras novas do NIST (ML-KEM, ML-DSA, SLH-DSA), com o modo híbrido onde a compatibilidade exige. Um relatório que o responsável por segurança leva à diretoria.

Código e configuraçãoonde há RSA e curvas1Dependênciasa árvore inteira2Classificaçãosigilo · exposição · esforço3Planoordem e modo híbrido4
Os quatro passos do scan, do código ao plano.
Os prazos que já existem

Recomendação virou calendário.

O NIST publicou os três primeiros padrões de fechadura nova em agosto de 2024. Desde então, governos transformaram a recomendação em data: o governo federal dos EUA mira 2030 para troca de chaves e 2031 para autenticação; sistemas de segurança nacional americanos exigem algoritmos resistentes em novas compras a partir de 2027; a União Europeia, infraestrutura crítica até 2030 e transição plena até 2035; o roteiro do G7 para o setor financeiro, sistemas críticos entre 2030 e 2032.

No Brasil ainda não há data equivalente, mas quem fornece para bancos globais, governo americano ou cadeias europeias será arrastado pelos prazos deles.

202420262028203020322034203611 NIST publica os padrões novos22 certificação FIPS 140-2 vira histórica33 CNSA 2.0 (EUA): novas compras44 EUA: troca de chaves · UE: infraestrutura crítica55 EUA: autenticação · G7: críticos até 203266 UE e G7: transição plena
Datas publicadas até meados de 2026. Elas têm sido revistas, geralmente para mais cedo.
Onde usar

Dado que precisa durar.

Faz sentido

  • Banco, fintech e seguradora: contratos, transações e dados que precisam valer por uma década ou mais.
  • Saúde: prontuários que acompanham o paciente pela vida inteira.
  • Fornecedores regulados: quem vende para governo, banco global ou cadeia europeia.

Pode esperar

  • Dado efêmero: sessões e tokens de minutos entram no plano, mas não no topo da fila.
  • Sistema a ser desligado em breve: se sai de linha antes do prazo, o esforço vai para o substituto.
  • Só criptografia simétrica: AES-256 e bons hashes de senha já resistem; o scan confirma e segue.
Três palavras desta página
Inventário criptográfico

A lista de onde há criptografia no sistema, de que tipo, e o que ela protege.

Guardar hoje, abrir depois

Gravar agora o tráfego cifrado para decifrar quando existir o computador quântico.

Modo híbrido

Usar a fechadura antiga e a nova ao mesmo tempo durante a migração, para não quebrar quem ainda não atualizou.

Limites

Onde isso pode estar errado.

A data do computador quântico é estimativa

Ninguém sabe o ano. As estimativas públicas vão do fim desta década aos anos 2030, e mudam. Por isso o espécime deixa você mexer nela.

O scan acha o que está à vista

Código, configuração e dependências declaradas. Criptografia dentro de hardware fechado ou de serviço de terceiros aparece como caixa-preta a investigar.

Prazo de sigilo é decisão do negócio

O X da conta de Mosca não sai do código: alguém precisa dizer por quanto tempo cada dado importa.

Prazos regulatórios mudam

As datas citadas são as publicadas até meados de 2026 e vêm sendo antecipadas.

Sua criptografia sobrevive a um computador quântico?

O scan é o primeiro passo: saber exatamente o que precisa migrar, em que ordem, e quanto custa. O diagnóstico gratuito em 24 h mostra por onde começar.

Ver também

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Fontes