Primeiro a lista das portas, depois o chaveiro.
Imagine trocar todas as fechaduras de um prédio antigo. Ninguém começa comprando fechaduras: começa andando pelo prédio com uma prancheta, anotando cada porta, que tipo de fechadura tem e o que ela guarda. Algumas portas estão escondidas atrás de outras.
Na criptografia é igual, com um detalhe: muitas "portas" não estão no seu código. Estão nas dependências (as bibliotecas e os SDKs que o seu sistema usa) e na configuração dos servidores. Sem varredura, ninguém sabe o que precisa migrar.
Sigilo mais migração, contra o relógio.
Michele Mosca propôs em 2015 uma conta de três números que virou a régua do setor. X: por quantos anos o dado precisa continuar secreto. Y: quantos anos você leva para migrar. Z: quantos anos faltam para existir um computador quântico capaz de quebrar a fechadura.
Se X + Y passa de Z, o dado já está exposto hoje, mesmo que o computador quântico ainda não exista. Na prática: um contrato assinado que precisa valer 20 anos já está atrasado em qualquer estimativa; um token de login que vale uma hora só precisa estar migrado antes do dia em que o computador ligar.
Guardar hoje, abrir depois.
Quem tem interesse no seu dado não precisa esperar o computador quântico para agir. Basta gravar hoje o tráfego cifrado com RSA ou curva elíptica e guardar. No dia em que a máquina existir, abre tudo de uma vez, para trás.
Por isso a urgência não é de quem usa o dado hoje: é de quem vai precisar que ele continue secreto daqui a 10 ou 20 anos. Dados financeiros, contratos, saúde e propriedade intelectual são os primeiros da fila.
Varrer, mapear, classificar, planejar.
Código e configuração. Varredura automática do código e das configurações de servidor: onde há RSA, ECDSA, ECDH, que versões de TLS e cifras estão ligadas, que certificados e chaves existem.
Dependências. A árvore inteira de bibliotecas, SDKs de nuvem e integrações: para cada uma, a versão, o algoritmo que usa e se já existe versão com fechadura nova.
Classificação. Cada achado recebe o prazo de sigilo do dado que protege, a exposição (internet, rede interna, isolado) e o esforço de troca.
Plano. A ordem de migração para as fechaduras novas do NIST (ML-KEM, ML-DSA, SLH-DSA), com o modo híbrido onde a compatibilidade exige. Um relatório que o responsável por segurança leva à diretoria.
Recomendação virou calendário.
O NIST publicou os três primeiros padrões de fechadura nova em agosto de 2024. Desde então, governos transformaram a recomendação em data: o governo federal dos EUA mira 2030 para troca de chaves e 2031 para autenticação; sistemas de segurança nacional americanos exigem algoritmos resistentes em novas compras a partir de 2027; a União Europeia, infraestrutura crítica até 2030 e transição plena até 2035; o roteiro do G7 para o setor financeiro, sistemas críticos entre 2030 e 2032.
No Brasil ainda não há data equivalente, mas quem fornece para bancos globais, governo americano ou cadeias europeias será arrastado pelos prazos deles.
Dado que precisa durar.
Faz sentido
- Banco, fintech e seguradora: contratos, transações e dados que precisam valer por uma década ou mais.
- Saúde: prontuários que acompanham o paciente pela vida inteira.
- Fornecedores regulados: quem vende para governo, banco global ou cadeia europeia.
Pode esperar
- Dado efêmero: sessões e tokens de minutos entram no plano, mas não no topo da fila.
- Sistema a ser desligado em breve: se sai de linha antes do prazo, o esforço vai para o substituto.
- Só criptografia simétrica: AES-256 e bons hashes de senha já resistem; o scan confirma e segue.
A lista de onde há criptografia no sistema, de que tipo, e o que ela protege.
Gravar agora o tráfego cifrado para decifrar quando existir o computador quântico.
Usar a fechadura antiga e a nova ao mesmo tempo durante a migração, para não quebrar quem ainda não atualizou.
Onde isso pode estar errado.
A data do computador quântico é estimativa
Ninguém sabe o ano. As estimativas públicas vão do fim desta década aos anos 2030, e mudam. Por isso o espécime deixa você mexer nela.
O scan acha o que está à vista
Código, configuração e dependências declaradas. Criptografia dentro de hardware fechado ou de serviço de terceiros aparece como caixa-preta a investigar.
Prazo de sigilo é decisão do negócio
O X da conta de Mosca não sai do código: alguém precisa dizer por quanto tempo cada dado importa.
Prazos regulatórios mudam
As datas citadas são as publicadas até meados de 2026 e vêm sendo antecipadas.
Sua criptografia sobrevive a um computador quântico?
O scan é o primeiro passo: saber exatamente o que precisa migrar, em que ordem, e quanto custa. O diagnóstico gratuito em 24 h mostra por onde começar.
← Pós-quântico · stickybit.com.br
- Michele Mosca, "Cybersecurity in an era with quantum computers: will we be ready?" (2015): a regra X + Y > Z.
- NIST FIPS 203, FIPS 204 e FIPS 205, agosto de 2024.
- Prazos: governo federal dos EUA (2030 troca de chaves, 2031 autenticação); NSA CNSA 2.0 (novas aquisições a partir de 2027); União Europeia (infraestrutura crítica até 2030, transição plena até 2035); roteiro do G7 para o setor financeiro (jan/2026: críticos 2030–2032, pleno 2035).
- Página anterior: "Post-Quantum Readiness Scan" (
/post-quantum-scan/).