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PKI pós-quântica · a identidade de cada dispositivo

A identidade dos dispositivos ainda não tem fechadura nova.

O NIST padronizou as assinaturas resistentes a computador quântico em 2024. Em 2026, metade da web já troca chaves com a proteção nova, mas nenhum certificado de identidade usa a assinatura nova. Na web pública isso depende de um ecossistema inteiro. No seu satélite, subestação ou carro, que usa certificados próprios e fica 15 a 20 anos no campo, dá para resolver agora.

Espécime · uma cadeia de certificados, elo a elo
↓ carimba
↓ carimba
↓ carimba

—tamanho da cadeia (chaves + assinaturas)
—pacotes de rádio de ~200 B
—resiste a computador quântico?
—verificador antigo aceita?

Tamanhos de chave pública e assinatura são os dos padrões (FIPS 204 e FIPS 205); um certificado real tem mais campos e fica maior. O pacote de ~200 B é o do link de rádio UHF do nosso estudo de satélite. O resto é ilustrativo.

No dia a dia

Uma carteira de identidade com carimbo de cartório.

Um certificado digital é a carteira de identidade de um servidor ou de um aparelho. Quem garante que ela é verdadeira é uma autoridade, que carimba com a própria assinatura, como um cartório. E o cartório, por sua vez, tem o carimbo reconhecido por uma autoridade acima dele: é a cadeia de confiança.

As assinaturas de hoje (RSA, ECDSA) são carimbos que um computador quântico conseguiria falsificar. Quem falsifica o carimbo do cartório faz carteiras falsas que passam em qualquer conferência. Por isso, na migração, a cadeia só é tão forte quanto o elo mais fraco.

Raizcarimba a próxima Intermediáriacarimba o aparelho Dispositivomostra a carteira carimbo = assinatura digital
Cada elo carimba o seguinte. Se um carimbo puder ser falsificado, tudo abaixo dele deixa de provar identidade.
O retrato de 2026

A troca de chaves anda. A assinatura está em zero.

Um estudo de 2026 mediu 32.011 domínios da web. 49,3% já fazem a troca de chaves com proteção nova (ML-KEM junto com X25519). A fatia de certificados com assinatura nova: 0%. Os certificados continuam 54% RSA e 42% ECDSA, dois anos depois do padrão.

Na prática: o que está sendo protegido hoje é o sigilo da conversa, não a prova de quem está do outro lado. E o motivo não é falta de interesse. Faltam autoridades que emitam certificados novos reconhecidos pelos navegadores, algo previsto para o fim de 2026 ou 2027.

Dois cuidados com o número: os 49% estão inflados por sites atrás de redes de entrega que ligam o modo novo por padrão; e o estudo mede a web pública, não os dispositivos de que esta página trata.

Troca de chaves nova
49,3%
Certificado com assinatura nova
0,0%
Adoção na web pública em 2026 (arXiv 2606.16473, 32.011 domínios). Sites atrás de CDN inflam a primeira barra.
Por que o dispositivo é diferente

O aparelho vive mais que o prazo.

Um servidor web troca de certificado a cada poucos meses. Uma unidade remota de subestação fica 15 a 20 anos no campo; uma central eletrônica de carro, mais de 15; um satélite, anos em órbita, sem ninguém para trocar peça. A criptografia tem que durar a vida inteira do aparelho, e quem grava o tráfego hoje pode tentar decifrar amanhã.

Os prazos já têm data: nos EUA, sistemas de segurança nacional exigem algoritmos resistentes em novas compras a partir de 2027 (CNSA 2.0); o governo federal americano mira 2030 para troca de chaves e 2031 para autenticação; a União Europeia, infraestrutura crítica até 2030. Um aparelho instalado em 2026 ainda estará funcionando em todos eles.

A boa notícia: dispositivos usam certificados próprios (PKI privada), sob o seu controle. Não precisam esperar os navegadores. Dá para emitir identidade nova agora.

20272027 CNSA 2.0 (EUA): novas compras20302030 EUA: troca de chaves · UE: infraestrutura crítica20312031 EUA: autenticação20352035 UE: transição plenaUnidade remota de subestaçãoCentral eletrônica de carroSatélite (ilustrativo)20262031203620412046
Vida útil típica do aparelho instalado hoje contra os prazos já publicados. A barra do satélite é ilustrativa.
Como fazemos

Emitir, verificar, atualizar.

Emitir. Uma autoridade própria, sob seu controle, emite identidade com assinatura nova (ML-DSA, SLH-DSA ou XMSS) para cada aparelho. Essa parte já é software pronto (EJBCA, step-ca); entregamos a integração, não reinventamos criptografia.

Verificar. De nada adianta emitir se o aparelho não confere direito. O diferencial está na raiz de confiança no aparelho: a partida segura e a conferência de identidade feitas num componente de hardware. Isso parte do nosso desenho de coprocessador pós-quântico para satélite (documentado, ainda não um produto em voo).

Atualizar. Fechadura fixa vira passivo no primeiro padrão novo. O aparelho no campo precisa poder trocar de algoritmo por atualização remota, sem trocar o hardware: é a criptoagilidade. Durante a transição, usa-se o modo híbrido, com a fechadura antiga e a nova ao mesmo tempo.

Emitir sua autoridade assinatura nova Verificar no aparelho raiz de confiança Atualizar remoto troca o algoritmoquando o padrão mudar, volta ao começo
A autoridade emite; o aparelho confere na própria raiz de confiança; a atualização remota troca o algoritmo quando o padrão mudar.
O tamanho importa

Assinatura nova é grande.

A assinatura ECDSA de hoje tem 64 bytes. A ML-DSA-65 tem 3.309; a SLH-DSA mais compacta, 7.856. Num servidor, tanto faz. Num link de rádio de satélite com pacotes de uns 200 bytes, uma assinatura nova ocupa de 13 a 40 pacotes.

Na prática: no satélite não se assina cada mensagem. A fechadura nova fica na borda da sessão (uma troca de chaves por passagem, assinaturas só para comandos raros) e a telemetria corre com cifra simétrica, que já resiste. É o mesmo desenho do TUBESEC.

AssinaturaChave públicaAssinaturaResiste a quântico
ECDSA P-25664 B64 Bnão
Ed2551932 B64 Bnão
ML-DSA-441.312 B2.420 Bsim
ML-DSA-651.952 B3.309 Bsim
SLH-DSA-SHA2-128s32 B7.856 Bsim
Onde usar

Aparelho longevo, PKI própria.

Faz sentido

  • Satélite e IoT por satélite: comando e telemetria de aparelhos que ninguém alcança fisicamente.
  • Energia e automação industrial: medidores, unidades remotas e controladores com 15 a 20 anos de vida (NERC CIP, IEC 62443).
  • Automotivo: centrais eletrônicas e comunicação entre veículos (UNECE R155/R156).

Ainda não

  • Site na web pública: depende de autoridades reconhecidas pelos navegadores, previstas para o fim de 2026 ou 2027.
  • Aparelho de vida curta: se será trocado antes do prazo, a urgência é menor.
  • Sem controle da raiz: se o fabricante não deixa você emitir nem atualizar, o primeiro passo é contratual.
Três palavras desta página
Certificado

A carteira de identidade digital de um servidor ou aparelho, carimbada por uma autoridade.

Cadeia de confiança

A sequência de carimbos, da raiz até o aparelho. Vale o que vale o elo mais fraco.

Criptoagilidade

Trocar a fechadura sem trocar a porta: mudar o algoritmo por atualização, sem trocar o hardware.

Limites

Onde isso pode estar errado.

O estudo mede a web, não o seu aparelho

O 0% é da web pública. Não sabemos a adoção em PKIs privadas de dispositivos, que é o mercado desta página.

Tamanhos são os do padrão

Um certificado real tem nomes, datas e extensões, e fica maior. O número de pacotes do espécime é um piso.

Prazos são de terceiros e mudam

As datas de EUA e UE são as publicadas até meados de 2026 e têm sido revistas, geralmente para mais cedo.

A raiz de confiança ainda é desenho

A verificação em hardware parte de um desenho de coprocessador para satélite, não de um produto certificado. A emissão e a atualização são software pronto.

Como seus aparelhos provam quem são, e como vão provar em 2035?

Um diagnóstico mapeia como a sua frota emite e confere identidade hoje, onde o "guardar hoje, abrir depois" expõe, e como fica a migração: autoridade própria com assinatura nova, conferência no aparelho e criptoagilidade.

Ver também

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Fontes