Quatro degraus, cada um mais forte e mais caro.
Os quatro jeitos não competem; são degraus. O de baixo é quase de graça e responde a uma pergunta estreita: "isto mudou?". O de cima responde a quase qualquer pergunta que tenha resposta sim ou não, e custa trabalho de verdade para montar.
A regra prática é subir só o necessário. Se um recibo resolve, não precisa de prova. Se a pergunta é sobre um total, a conta cifrada resolve sem que ninguém veja as parcelas. A prova de conhecimento zero entra quando a pergunta é uma frase específica ("tem mais de 18", "seguiu a regra") e o dado que a responde não pode sair de onde está.
Em todos os degraus vale o mesmo cuidado desta seção: cada técnica tem uma zona cega, e o laudo diz qual é antes de dizer o resultado.
O recibo: a impressão digital do arquivo.
No momento da entrega, calcula-se um resumo criptográfico do arquivo: 32 bytes que mudam por completo se uma única vírgula mudar. Esse resumo recebe um carimbo de tempo assinado. O arquivo pode ficar com o fornecedor; o recibo vai para quem vai conferir.
Meses depois, numa disputa, qualquer terceiro recalcula o resumo do arquivo apresentado e compara. Bateu: é o mesmo arquivo daquele dia. Não bateu: alguém mexeu. Não há opinião envolvida.
O limite é claro e precisa ser dito: o recibo prova que não mudou, não que estava certo. E, para durar décadas, a assinatura do carimbo precisa resistir ao computador quântico, assunto da seção pós-quântico.
O vazamento: o que o sistema não escolhe mostrar.
Todo sistema que manda dados emite, junto, coisas que ninguém escolheu: o tamanho de cada pacote depois de comprimido, a hora em que chegou. Um sensor vivo treme um pouco, mesmo parado, e esse tremor não comprime abaixo de um piso. Um sensor travado repete o mesmo número e cabe em quase nada.
Um auditor que recebe só tamanhos e horários pode refutar "o sensor funcionou o mês inteiro" sem ler um único valor medido. Essa é a propriedade que nos interessa: o veredito sai sem o dado sair.
Medimos os limites, e eles são sérios. Como detector, o tamanho do pacote não foi melhor que uma regra simples sobre o próprio sinal. Ruído inventado passa: a ausência condena, a presença não absolve. E um sensor de medida grossa, parado, não vaza nada: ali o veredito honesto é indecidível. Detalhes em julgue o que vaza.
A conta cifrada: somar sem ver as parcelas.
Quando a pergunta é sobre um total (a soma das vendas, a contagem de votos, a média de um grupo), dá para fazer a conta inteira com os números trancados. Cada parcela chega cifrada, quem soma trabalha sobre o que não consegue ler, e só o total é aberto, por quem tem a chave.
Na urna cifrada da nossa seção de FHE, o servidor apurou sem precisar ver nenhum voto. O preço está no espaço: cada voto trancado ocupa cerca de 1,5 MB, contra alguns bytes do voto aberto.
E há uma armadilha: esconder não é garantir. A conta cifrada não impede, sozinha, que alguém deposite uma parcela falsa, como um voto "valendo 100". Por isso ela quase sempre vem acompanhada de uma prova, o degrau seguinte.
A prova: a frase sai, o dado fica.
Uma prova de conhecimento zero convence de que uma frase é verdadeira sem entregar o dado que a torna verdadeira. "Esta pessoa tem mais de 18" sem a data de nascimento. "Este cálculo seguiu a regra combinada" sem os dados de entrada. O auditor recebe a frase e uma prova curta que confere sozinho.
Medimos na nossa bancada: a prova de idade leva 26 ms para ser gerada, 1,4 ms para ser conferida e ocupa 164 bytes. Provas maiores custam mais: estar numa lista de um milhão leva 220 ms; o texto por trás de um resumo SHA-256, 1,6 segundo.
O limite volta ao começo desta seção: a prova garante que um programa foi seguido, não que o programa está certo. O programa provado é uma régua, e precisa da sua própria auditoria. A seção 0k-proof mostra como funciona por dentro.
O que cada um mostra, esconde e custa.
| Técnica | Responde a | O auditor vê | Fica escondido | Custo | Zona cega |
|---|---|---|---|---|---|
| Recibo com carimbo | mudou ou não mudou | um resumo de 32 bytes e uma data | o conteúdo, se não for entregue | quase nenhum | não diz se estava certo |
| Vazamento | parou ou foi fabricado | tamanhos e horários | todos os valores | nenhuma instrumentação nova | ruído inventado passa; sensor grosso não vaza |
| Conta cifrada | totais, contagens, médias | só o resultado final | cada parcela | alto em espaço~1,5 MB por voto | não impede parcela falsa |
| Prova de conhecimento zero | frases de sim ou não | a frase e a prova | o dado que torna a frase verdadeira | de 26 ms a 1,6 s para provar1,4 a 3,3 ms para conferir | vale o que o emissor e o programa valem |
Os custos com número são medições nossas: provas na bancada do 0k-proof, voto cifrado na demonstração da seção FHE. As demais linhas descrevem, sem medir.
Na prática, os degraus andam juntos.
A urna: soma, prova e recibo
A conta cifrada esconde cada voto; uma prova por voto garante que ele marca exatamente um candidato; o registro encadeado dá a cada eleitor um recibo para conferir que o voto entrou. É a urna da seção FHE, funcionando.
A telemetria: recibo e vazamento
Cada lote de medições ganha recibo com carimbo na chegada; os tamanhos e horários dos pacotes, que o auditor pode ver, dizem se o sensor continuou vivo. Nenhum valor medido sai da empresa.
O cálculo: recibo e prova
Os dados de entrada ganham recibo antes; depois, uma prova mostra que o programa combinado, rodado sobre exatamente aqueles dados, deu aquele resultado. O auditor confere as duas coisas sem ver os dados.
Sempre: a régua por cima
Nenhum degrau dispensa a pergunta desta seção: a régua consegue falhar? Uma prova de um programa frouxo, ou um recibo de um laudo errado, é certeza sobre a coisa errada.
Onde isso pode enganar.
O contexto vaza mesmo quando o dado não vaza
Quem confere não vê o valor, mas vê quem pediu, quando, com que frequência. Esse rastro pode contar tanto quanto o dado, e precisa de cuidado próprio.
O canal que confere também vigia
O mesmo vazamento que prova que um equipamento rodou revela quando ele rodou, mesmo em dados "anonimizados". Quem vende a conferência precisa tratar isso como custo de privacidade declarado.
Sigilo não é integridade
Esconder bem não garante que ninguém trapaceou. A conta cifrada precisa de prova; o recibo precisa de uma régua que preste; a prova precisa de um programa auditado.
Tudo depende de quem atestou a entrada
Uma prova de idade vale o que o emissor do documento conferiu. Um recibo vale a partir do momento em que foi registrado, não antes. Conferir sem abrir não substitui conferir na origem.
Para ir mais fundo.
Isto se aplica ao seu caso?
Conte em duas linhas o que você precisa decidir ou medir. A primeira conversa serve para ver se a medição resolve o seu caso, e, se não resolve, dizemos.
- Provas de conhecimento zero: bancada própria, setembro de 2026, gnark v0.16.3 em Go, curva BN254, Apple M2 com 8 GB; método na bancada do 0k-proof.
- Conta cifrada: demonstração da seção FHE, com a biblioteca Lattigo; tamanho do voto trancado medido no servidor da demonstração.
- Vazamento: medições próprias no conjunto público ALOHA do LeRobot, com previsão e critério de derrota registrados antes; entrada julgue o que vaza.
- Recibo: resumo SHA-256 (32 bytes); carimbos de tempo e assinaturas que resistem ao quântico na seção pós-quântico.