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PLUMB · o horário provado

Que horas são, com prova.

Todo dado carrega um horário, e quase ninguém confere se ele está certo. O PLUMB troca o número do relógio pelo intervalo em que o instante real tem que estar, confrontando vários servidores de hora, e diz com honestidade quando não dá para afirmar.

Espécime · cinco servidores de hora e a régua da lei

—veredito
—incerteza que sobra
±100 µsrégua da lei
—servidor descartado

Cenários a e b: números da medição num Mac real em julho de 2026 (incerteza de ±12 ms pelo Wi-Fi; −160 ms logo depois de acordar). Cenário c: máquina com PTP simulada, como no teste (desvio de ~2 µs, incerteza de ~8 µs). O servidor mentiroso é ilustrativo.

No dia a dia

Pergunte a hora para cinco pessoas.

Numa sala, você pergunta as horas para cinco pessoas. Ninguém responde "10h00 em ponto": uma diz "umas 10h, pode ser um pouco antes", outra "10h e pouco". Cada resposta é, na verdade, um intervalo.

Colocando os intervalos lado a lado, aparece um trecho em que todos concordam. Esse é o horário que dá para provar. E se uma sexta pessoa disser "meio-dia", ela não cabe em nenhuma sobreposição: fica de fora, e você sabe exatamente quem errou.

Agora imagine que a regra exige saber a hora com precisão de um minuto, e o trecho em comum tem quatro minutos. Você não pode dizer que está certo nem que está errado. A resposta honesta é "não dá para afirmar". É isso que o PLUMB faz com os relógios dos computadores.

pessoa 1pessoa 2pessoa 3pessoa 4pessoa 5pessoa 6“meio-dia” → fica de fora9h5010h0010h10o horário provado: entre 9h58 e 10h02
O trecho em comum é a hora provada. Quem não cabe nele está errado, e dá para dizer quem.
Como funciona

Ida e volta, e a metade da viagem.

Para acertar o relógio, o computador pergunta a hora a um servidor pela internet. A pergunta vai, o servidor anota a hora dele e a resposta volta. O problema: não dá para saber quanto tempo levou a ida e quanto levou a volta.

O PLUMB não finge que sabe. Ele calcula o intervalo em que o instante real tem que estar: a metade da viagem de ida e volta, mais a incerteza que o próprio servidor declara. Faz isso com vários servidores independentes e fica com o trecho em que a maioria concorda. Um servidor que destoa fica de fora, com prova de que destoou.

Por fim, compara o intervalo com a régua (por exemplo, ±100 µs da regra europeia para negociação de alta frequência) e dá um de três vereditos: provado dentro, provado fora ou não dá para afirmar.

seu computadorservidor de horaida: quanto demorou?volta: quanto demorou?o servidor anota 10:00:00,000ida + volta = 24 ms→ o horário real está a até ±12 ms do que o servidor dissedentroforanão dá para afirmarrégua
Uma consulta com 24 ms de ida e volta dá ±12 ms de incerteza. É o piso típico de um Wi-Fi.
O que medimos

Um notebook de verdade, 43 horas, 1.728 consultas.

Medimos o relógio de um Mac comum, uma consulta por minuto, a cinco servidores. No começo o relógio adiantava 135,9 partes por milhão, cerca de 11,7 segundos por dia. A primeira medição já mostrou a máquina ~60 ms fora do horário oficial, e a pior divergência chegou a 575 ms, 5.756 vezes a régua.

Depois instalamos um programa de ajuste de relógio (o chrony). Com a máquina ligada sem dormir, o desvio típico caiu de 27,75 ms para 1,90 ms, cerca de 13 vezes melhor, e os casos provados fora da régua caíram de 59,8% para zero.

Mesmo assim o veredito continuou não conforme, e o PLUMB explicou por quê. Pelo Wi-Fi, a incerteza da medição nunca fica abaixo de ±12 ms, 120 vezes mais larga que a régua: o relógio pode até estar bom, mas não dá para provar. E todos os casos provados fora depois do ajuste vieram logo após a máquina acordar do modo de espera.

O programa de ajuste dizia, sobre si mesmo, estar a 140 µs do horário. É o ator falando de si por um único caminho. O PLUMB é o auditor: cinco fontes independentes, sem confiar em nenhuma, e só consegue provar ±12 ms. Separar os dois papéis é justamente o produto.

antes do ajuste (18,5 h)depois, máquina ligada sem dormir (12,4 h)
mediano27,75 ms1,90 msp95366,9 ms10,45 msmáximo472,9 ms87,3 ms1 ms10 ms100 ms1000 ms
Desvio do relógio em relação ao horário oficial, antes e depois do ajuste. Escala logarítmica: cada marca é 10 vezes a anterior.
MedidaAntes do ajuste (18,5 h)Depois, ligado sem dormir (12,4 h)Depois, período inteiro (24,4 h)
Desvio mediano27,75 ms1,90 ms2,00 ms
Desvio em 95% do tempo366,9 ms10,45 ms82,0 ms
Maior desvio472,9 ms87,3 ms431,0 ms
Incerteza mediana da medição12,70 ms12,18 ms12,18 ms
Provado fora da régua59,8%0%6,6%
Não dá para afirmar40,2%100%93,4%
Provado dentro da régua0%0%0%

A mesma ferramenta, rodando numa máquina com relógio de precisão (PTP, simulada com desvio de ~2 µs e incerteza de ~8 µs), deu conforme. E quando trocamos o veredito de um relatório para "conforme", o verificador refez a conta a partir do dado bruto e reprovou. A ferramenta não tem lado.

Onde usar

Quando o horário vira evidência.

Serve bem

  • Negociação de alta frequência: a regra europeia (MiFID II, RTS 25) exige provar o relógio a ±100 µs do horário oficial. O PLUMB entrega a prova, ou diz honestamente que ela não existe.
  • Subestações e medição de rede elétrica: a norma IEC 61850 pede 1 µs. O PLUMB atesta se o equipamento caro entrega o que promete (veja o caso do synchrophasor).
  • Ordenar eventos com prova: se os intervalos de dois eventos não se sobrepõem, a ordem está provada; se se sobrepõem, a resposta honesta é "não dá para afirmar".
  • Perícia: relógio adulterado, GPS falsificado, máquina virtual que perde o compasso. Um salto de +473 ms foi capturado na medição.

Não resolve sozinho

  • Não substitui hardware de tempo: pela internet comum a precisão é de milissegundos. Para provar microssegundos, é preciso um caminho melhor (PTP com hardware ou GPS, a partir de uns R$ 500 num Raspberry Pi).
  • Caminho desigual: o cálculo supõe que ida e volta levam tempos parecidos. Um atacante no meio do caminho pode quebrar isso sem ser visto por uma consulta só.
Três palavras desta página
Intervalo provado

O trecho em que o instante real tem que estar, calculado sem confiar em nenhum servidor isolado.

Régua

A precisão que a regra exige: ±100 µs para negociação de alta frequência, 1 µs em subestações.

Não dá para afirmar

Quando o intervalo é mais largo que a régua. Não é "está errado": é "esta medição não prova nem uma coisa nem outra".

Limites

Onde isso pode estar errado.

O piso é a medição

Pelo Wi-Fi, a incerteza nunca cai abaixo de ~12 ms. O PLUMB mostra o problema; para resolver, é preciso um caminho de medição melhor.

Supõe ida e volta parecidas

Se a ida demora muito mais que a volta, o intervalo pode estar deslocado. Várias fontes independentes reduzem o risco, mas não o eliminam.

Um notebook medido

A medição longa foi num Mac comum. O cenário de relógio de precisão foi simulado, não medido em hardware PTP real.

Servidores que mentem juntos

A votação pega um servidor que destoa. Se a maioria mentir do mesmo jeito, a votação acompanha a maioria.

Ver também

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Fontes