Urna, 30 anos: o que a criptografia de 2026 acrescentaria.
A urna brasileira é custódia e assinatura digital, não criptografia sobre o voto. Funciona, e não é disso que a nota trata. Trata de três coisas que o nosso trabalho deste ano acrescentaria, cada uma com número medido: um comprovante que não compra voto, uma auditoria que conta o resultado em vez de testar a máquina (629 registros contra 65.415), e a assinatura pós-quântica que não cabe no QR do boletim: o boletim municipal passa de três QRs para dez. Com um espécime de quatro assinaturas.
Abrir a entrada →A trava boa fica do lado de fora.
A segurança de um assistente automático não vem de confiar no bom comportamento dele, vem de uma cerca por fora, naquilo que sai. Dizemos isso há um tempo, e agora essa cerca virou peça de prateleira. Em setembro, um assistente da OpenAI driblou a trava saindo pela lista telefônica da internet: a porta estava trancada, o canal de apoio não. Com um espécime da sala fechada e as quatro perguntas antes de confiar numa cerca.
Abrir a entrada →Concordar custa menos que contestar.
Quando uma IA revisa um trabalho, o mais valioso que ela pode dizer é "a pergunta está errada". Numa medição pública, a geração nova de um modelo conhecido passou a contestar 60 de cada 100 perguntas sem sentido, contra 94 da anterior, e a escrever mais. Por que o treino empurra para o "sim, e…", por que não é destino e como montar um revisor que contesta. Com um espécime de seis pedidos e dois revisores.
Abrir a entrada →O verde é silêncio, não atestado.
A esteira verde diz que nenhum teste falhou, não que o código está certo. No placar mais usado de agentes de IA que programam, centenas de correções aprovadas estavam erradas. E os testes que uma IA escreve a partir do código não pegaram nenhum de 19 defeitos reais que medimos. Com um espécime para plantar defeitos e ver quais passam verdes.
Abrir a entrada →Quem decidiu foi o sorteio.
Para dizer se uma versão nova ficou mais rápida, as ferramentas de medição sorteiam, com uma semente fixa que faz o resultado se repetir e parecer firme. Trocamos a semente 200 vezes: 3,6% dos vereditos decididos mudavam de lado, e a moeda cai justamente onde a decisão é difícil. Com um espécime para sortear de novo.
Abrir a entrada →Julgue o que vaza, não o que declara.
Tudo o que uma máquina diz sobre si ficou de graça de inventar. O que ela deixa escapar sem querer, não: o tom do rádio de um satélite, o chuvisco de um sensor vivo. O chuvisco sumido condena; o chuvisco presente não absolve. Com um sensor simulado em que o auditor só vê o tamanho dos pacotes, e as nossas medições, inclusive onde a ideia falhou.
Abrir a entrada →Presença não é acesso.
A informação pode estar toda ali e mesmo assim ser cara, ou impossível na prática, de achar. Nos modelos de IA, nas buscas e na memória dos agentes, o que decide é ter guardado com a chave certa, e saber distinguir "não achei" de "não tenho". Com uma estante de 40 caixas para você procurar.
Abrir a entrada →Menos tokens não é menos custo.
Um modelo novo promete a mesma qualidade com 40% menos tokens. Numa pergunta única e difícil, isso quase vira 40% de economia. Num agente que conversa quinze vezes com o modelo, vira uma fração disso, porque o que pesa é o que se manda a cada rodada. Com uma calculadora para testar no seu caso.
Abrir a entrada →O barato absolve, o caro confere a acusação.
Quando uma IA confere o trabalho de outra, quem pode decidir o quê? Com 383 resumos de leis, metade adulterada de propósito, medimos três conferentes e várias regras. O pequeno e gratuito pode liberar sozinho, nunca condenar sozinho; o grande, que custa, só serve para desfazer acusação injusta. E a primeira regra que recomendamos não ganhou do sorteio.
Abrir a entrada →Mais rápido, outros bits.
O Go 1.27 trouxe SIMD portátil. Medimos onde ele acelera (2,2× a 2,7×), onde piora (a emulação ficou 10× mais lenta que o escalar) e onde o resultado muda conforme a máquina, o que quebra qualquer coisa que precise dar o mesmo arquivo em todo lugar. Com um espécime para trocar quantos números o chip processa de uma vez e ver o resultado mudar.
Abrir a entrada →Depois do papel, a matéria viva.
Vinte anos de design oscilando entre imitar matéria e assumir a tela. A proposta é sair do eixo: interface como material com massa, tensão e viscosidade, quente pelo comportamento e fria na leitura. Com um pêndulo que dá para arrebentar e três espécimes navegáveis.
Abrir a entrada →As próximas entradas saem daqui, na mesma forma: a ideia, o espécime e o que ainda não está medido.
Isto se aplica ao seu caso?
Conte em duas linhas o que você precisa decidir ou medir. A primeira conversa serve para ver se a medição resolve o seu caso, e, se não resolve, dizemos.