Detecção certificada · Agentes de IA
Modelos de raciocínio às vezes entram numa espiral, repetindo "Wait… But… Alternatively…" até esgotar o contexto. Consertar isso no treino é uma coisa; detectar em tempo real, com garantia de não perder nenhum, é outra — e é aí que a completude certificada ganha.
Um doom loop acontece quando, na incerteza, o modelo passa a reflexivamente emitir palavras de transição ("Wait", "But", "Alternatively") em vez de avançar — e gira até estourar a janela. A Liquid AI mostrou que dá para reduzir isso drasticamente no treino, com o FTPO. Isso mexe nos pesos; não é o nosso jogo, e a gente não compete ali.
O encaixe da Trinca é no runtime: um detector barato e certificado que diga "isto está entrando em loop" para um orquestrador intervir. E há uma observação bonita por trás — um loop é o estado de raciocínio revisitando um estado anterior. Detectar isso é uma busca de completude: "o passo atual está a ε de algum passo anterior?", com garantia de não perder nenhum. Essa é a força do SIEVE.
Montamos 26 traços (8 coerentes + 6 de cada tipo de loop), com embeddings reais (bge-m3, 1024 dimensões) por passo de raciocínio, o limiar ε calibrado só nos traços coerentes (estilo conformal) e o início do loop conhecido, para medir a latência de detecção. Os três tipos:
| Tipo de loop | n-grama | Surpresa (deadband) | SIEVE certificado |
|---|---|---|---|
| Literal | 6/6 · lat 8,0 | 6/6 · lat 3,0 | 6/6 · lat 2,2 |
| Cíclico (A·B·A·B) | 6/6 · lat 6,0 | 0/6 — cego | 6/6 · lat 3,0 |
| Parafrástico (reescrito) | 0/6 — cego | 6/6 · lat 2,2 | 6/6 · lat 2,0 |
| Coerente (falsos positivos) | 0/8 ✓ | 2/8 ✗ | 0/8 ✓ |
Acertos/total dentro da região de loop; latência em passos após o início. "cego" = não dispara. Os embeddings, o codec e os detectores são reais.
O resultado conta uma história limpa:
Passando o traço parafrástico (1024 canais de embedding × 20 passos) pelo codec TUBE real, ele comprime 15,5× vs. bruto, com deadband de 67,3% e erro máximo dentro do bound: a região do loop comprime a quase nada. É a mesma ideia, do outro ângulo — loop = baixa surpresa = alta compressibilidade.
É um guardrail de runtime, não uma cura — complementa o FTPO (treino), não o substitui. Os traços foram construídos para modelar o fenômeno documentado (modelos pequenos rodando em CPU não espiralaram de forma dramática); os embeddings, o codec e os detectores são reais; N = 26. E em memória, sobre um traço curto, um brute-force exato é trivial — o valor do SIEVE aparece na garantia de completude + escala/out-of-core: contextos longos, muitos agentes concorrentes, e um plano de governança que precise provar que não deixou passar um loop.
É onde a Trinca toca a fronteira de agentes de IA: não como quem treina o modelo, e sim como o substrato de evidência certificada que observa, mede e prova — inclusive quando o raciocínio começa a girar em falso.